Abri os olhos minutos depois de ter adormecido. Na verdade, eu não posso dizer que adormeci. A cama absolutamente desforrada deixava visível que eu tive uma noite daqueles em que fiquei me revirando, inquieto, pensando em mil coisas e, de certa forma, em apenas uma especificamente.
Me levantei e olhei pela janela. E era a mesma vista de sempre, o sol já estava quase nascendo, mas alguma coisa mudara naquela cidade. De repente ela não mais aquele lugar acolhedor que eu costumava chamar de “lar”. E depois do que estava pra acontecer, ela se tornaria tudo, menos um ”lar”. Porque se realmente viesse a acontecer o que eu temia e o que me fizera revirar a noite inteira na cama, bem… nada mais me faria ficar ali.
Eu morava na casa que ficava em um local alto e tinha uma vista que dava para a cidade inteira. Era um lindo lugar para se morar. Aquela vista já havia me inspirado para escrever várias canções e me fazer ficar por horas ali, pensando na vida. Além da pequena cidade que eu via pela minha janela, mais adiante se estendia o oceano. Sereno, imenso, imponente. E isso só deixava o lugar mais bonito.
Contemplei as ruas lá embaixo e estavam todas vazias e silenciosas. E eu me perguntei porquê ninguém ainda havia acordado, afinal, minha mente estava gritando e não era possível que ninguém estivesse escutando tudo aquilo.
Contemplei meu rosto pelo reflexo do vidro da janela e me assustei. Eu estava com uma expressão horrível. A expressão de um homem que passou a noite inteira chorando e não dormiu. Meus cabelos estavam mais bagunçados que o normal e minha pele mais pálida que as folhas de um caderno.
Voltei para a cama e abracei o travesseiro, na trágica ilusão de que aquilo iria substituir o abraço da pessoa que era o motivo das lágrimas noite anterior.
Comecei a me lembrar de tudo o que aconteceu desde o dia em que cheguei naquela cidade.
Foi no começo do ensino médio, há 5 anos atrás.
Cheguei na metade do ano letivo e foi absolutamente me enturmar. Eu sequer era chamado de “Nate”, que é o meu nome, mas sim de “O novato”. No final das contas, conheci o Stephen. Nunca havia conhecido ninguém com tanto em comum comigo. A conexão foi instantanea.
Eu nunca tive um melhor amigo, até conhecer ele. Nos demos tão bem quanto dois garotos de 15 anos se dariam caso tivessem os mesmos gostos para livros, músicas e filmes. Em todos os lugares estavam Nate e Stephen, juntos. Era difícil encontrar um sem o outro.
E então aconteceu o que era de se esperar: eu me apaixonei por ele. De repente as tardes que passavamos jogando video-game ou vendo filmes depois da escola se tornaram algo mais do que “passar um tempo com o melhor amigo”. Eu estava encantado por cada pequena coisa dele. A voz rouca, o cabelo bagunçado, a risada estranha, os olhos azuis, a pele bronzeada. E, mais do que os detalhes físicos, eu estava encantado por cada coisa que fazia parte do que ele era. A pessoa que ele era. A forma que ele me tratava, os abraços que ele me dava quando eu não estava bem, a forma que ele encarava a vida, a forma que ele caminhava, a forma que ele falava meu nome…
Qualquer pessoa acabaria se apaixonando pelo Stephen se passasse tanto tempo ao lado dele.
E assim foi por anos. Borboletas voando na minha barriga todas as vezes em que eu o via. Era tão errado, mas ao mesmo tempo tão certo. O ensino médio inteiro não nos desgrudamos, até chegar no último ano e ele começar a namorar a Bella. Mesmo com ele dizendo que não nos separaríamos, aconteceu. Ele se afastou. De repente era com ela que ele passava as tardes vendo filmes trancados no quarto, era com ela que ele viajava nos finais-de-semana, era com ela que ele passava todo o tempo livre.
E nos afastamos, cada vez mais. Eu não aguentava ouvir ele falando das coisas que eles faziam juntos e de como ela era legal, blablabla. E fiz o meu melhor para ficar longe dele, até que por fim paramos de nos falar.
As pessoas perguntavam o que separou a dupla dinâmica e eu dizia apenas que estava muito ocupado com os estudos. E por fim, esqueceram que um dia eu e ele não nos desgrudávamos. Mas eu não esqueci e isso continuava me atormentando por várias noites.
E então chegou o último dia de aula, o dia da formatura. Eu e bebida nunca foi uma boa combinação e logo depois de algumas doses eu já não estava me sentindo bem. Saí do salão e fui para o lado de fora; e me sentei em um banquinho de uma pracinha.
Então eu vi Stephen caminhando na minha direção e se sentou do meu lado. Ele ficava ainda mais lindo com roupa de gala, eu não pude deixar de notar. Ele segurou minha mão e sorriu.
- Eu sinto sua falta, Nate.
- Não devia deixar a Bella ouvir isso. - falei soltando minha mão da dele.
Ficamos nos olhando por mais alguns minutos, sem dizer nada, apenas o barulho da música que vinha da formatura enchia o ar da noite fria.
- Você sabe, não é? - falei pra ele, ainda olhando-o nos olhos.
Ele assentiu e virou o rosto. Eu suspirei. Me aproximei mais dele e segurei sua mão.
- Eu te amo, Stephen. Eu nunca senti algo assim por ninguém e…
Eu parei de falar porque ele voltou a me olhar nos olhos. Sua expressão era indecifrável.
Eu não sabia mais o que falar, então, eu resolvi agir e foi esse ato que mudou tudo.
Eu o beijei.
Foi a coisa mais doce, mais suave, mais mágica. Ele não fez nada. Foi tudo tão rápido. De repente, me dei conta de o que eu estava fazendo e parei. Olhei para ele uma última vez e seus olhos estavam abertos, surpresos.
Me levantei e saí correndo, sem olhar pra trás.
Depois daquilo, passei semanas sem ver o Stephen. Preferia ficar no meu quarto, lendo livros e esperando o momento em que iria embora daquela cidade, por mais que a amasse. Porque eu não tinha mais coragem e forças para andar por aquelas ruas e esbarrar com Stephen. Ele tampouco me procurara depois de o que aconteceu. Eu estava envergonhado, chateado e triste, tudo ao mesmo tempo.
Os únicos momentos em que eu saia de casa era no meio da madrugada, para andar pelas ruas ouvindo música. Ou ia até a praia no comecinho da manhã, quando o Sol ainda nem tinha acordado e não havia ninguém na praia.
Foi em um desses começos de manhã, na praia, que eu revi Stephen depois de tudo o que aconteceu. Ele vinha caminhando na minha direção, seus cabelos ficando ainda mais bagunçados com o vendo que fazia. Quando eu o vi eu estaquei, minhas pernas não conseguiam se mover. Mas logo isso passou e eu me virei, querendo fugir dali o mais rápido possível. Eu ouvi ele gritar meu nome e ouvir os passos dele se apressarem atrás de mim, mas não parei. Logo senti o braço dele me puxando.
Apenas encarei ele com raiva e ele ficou recuperando o fôlego, embora não tenha soltado meu braço.
- O que você quer? - eu perguntei; eu estava extremamente irritado.
- Eu… Não consigo parar de pensar… No que aconteceu. - disse ele, ainda tentando respirar normalmente.
- O que você quer dizer com isso? - perguntei, tentando soltar meu braço de sua mão, mas estava muito apertado.
- Eu não consigo parar de pensar em você e tento te encontrar em todos os lugares e você nunca está.
- Eu acho que existe uma coisa chamada telefone. - respondi.
- Eu não saberia falar isso pelo telefone… - ele se aproximou e eu prendi a respiração. Eu não estava esperando por aquilo.
Ele soltou meu braço, porém passou as mãos pelo meu rosto e me puxou para mais perto. Por um momento eu achei que eu ainda estivesse dormindo e aquilo tudo era um sonho. Quais eram as chances de estar acontecendo aquilo tudo, assim, do nada? Ele estava se aproximando e o momento era perfeito, tudo era perfeito.
E enfim ele me beijou. Só que dessa vez com vontade e ambos corresponderam ao beijo. Dessa vez foi algo intenso, além de mágico. Quando nossos lábios se desgrudaram, ele me olhou e sorriu, corando. Eu olhei para o mar, que agora estava com o sol nascendo como plano de fundo. Ele também olhou e em seguida segurou minha mão. Caminhamos pela beira da praia em silêncio, sem falar nada. Logo eu não resisti e joguei ele no chão e o beijei. Beijei infinitas vezes, matei toda a sede que eu tivera por anos de beijar aqueles lábios e sentir o corpo dele junto ao meu. Eu nunca estivera tão feliz em toda minha vida.
Fomos conversando no caminho de casa, enquanto eu contava pra ele sobre tudo o que eu sentira e como fora difícil pra mim. E ele falou que todas as vezes que sentiu isso (sentimentos a mais por mim), achou que estava enlouquecendo e foi exatamente por este motivo que ele começou a namorar com a Bella e tentou convencer a si mesmo de que aquilo era o que ele queria e o que era certo pra ele. Até me beijar na formatura e não parar de pensar que queria mais daquilo.
Na porta da minha casa, ele sorriu e olhou para os lados. Não tinha ninguém na rua. Logo, ele se aproximou e me beijou suavemente e depois foi embora, dizendo que voltava.
E ele voltou. O fato de ele saber que escondiamos a chave embaixo do tapete da varanda ajudou muito no fato de ele aparecer do nada no meu quarto nas noites que se sucederam. Eu sempre falava que era só ele me chamar e eu abriria a porta e ele não precisaria entrar sorrateiramente como um assassino à espreita, mas ele insistia em falar que era mais emocionante me fazer morrer de susto enquanto eu estava no banho e ele aparecia do nada.
E as noites eram incríveis. Não nos desgrudávamos um segundo, como se cada segundo que ficassemos sem nos tocar ou nos beijar, fosse um segundo disperdiçado. Comiamos chocolate e assistiamos filmes. Ou tentavamos assistir, porque era sempre mais interessante passar a mão por seus cabelos macios ou beijar seus doces lábios. Quando eu estava sozinho em casa e ele aparecia, eu cantava uma das canções que eu escevera pra ele. Ele apenas me observava encantado; no final, abria aquele sorriso maravilhoso e me beijava apaixonadamente. Aquilo era ele dizendo que amou a canção.
Várias noites ele acabava cochilando e dormiamos de conchinha. Ele sempre falava para os pais que ia dormir na casa de um amigo ou da Bella. E aí estava o problema. A Bella. É claro que tudo estava bom demais para ser verdade. Tinha que ter alguma coisa ruim nisso tudo. O Stephen continuava namorando com a Bella, por mais que tentasse evitar ela. Ele sempre dizia que ela ia ficar devastada se eles terminassem, que os pais dele iriam ficar enchendo o saco e que não sabia como fazer isso. Sempre que o assunto era tocado, eu ficava em silêncio e tentava não explodir de raiva. Mas ele sempre tinha seu jeitinho de me fazer esquecer de tudo isso e apenas curtir o tempo que passavamos juntos no meu quarto.
Algumas vezes eu acordava e ficava observando ele dormir do meu lado. Por minutos. Então eu levantava e ficava olhando pela janela. Logo ele levantava também e me abraçava por trás, e ficavamos olhando a cidade vazia e o mar agitado mais no fundo.
- Bom dia, Nate. - dizia ele, me beijando no pescoço.
- Bom dia, Steph. - eu respondia, maravilhado.
Às vezes íamos até a praia e ficávamos olhando o mar, conversando besteiras ou simplesmente nos beijando. Foi em um desses dias que encontramos uns amigos drogados do Steph. Aquele tipo de garotos irritantes que existem em todos os lugares, aqueles que bancão os machões da redondeza. Ficaram perguntando ao Steph o que ele estava fazendo com a mariquinha da cidade, se estávamos nos agarrando na areia e se eu não o tivesse segurado, ele ia entrar em uma briga. E foi aí que se sucedeu os problemas.
Cidade pequena, as pessoas falam. Tudo veem, tudo comentam. E começaram a falar de mim e de Stephen, em todos os lugares. Eu ficava preocupado como ele iria reagir a isso tudo, afinal, eu era certo de tudo o que eu queria e de tudo o que eu era, mas eu não estava tão certo sobre ele. Todas as vezes que ouvíamos algum comentário maldoso, eu perguntava a ele como ele estava e ele dizia: “eu não vou deixar você, Nate. Eles nem sabem de nada, apenas estão sugerindo coisas. E o fato de eu namorar a Bella disfarça bem.”
Até que chegou o dia em que os boatos chegaram na minha casa. Meus pais eram os mais compreensivos do mundo e eu contei toda a verdade à eles. Minha mãe chorou por horas e ficou me abraçando pelo resto do dia dizendo que não ia deixar ninguém fazer nada de ruim comigo, enquanto meu pai apenas observava e não dizia nada. No fim do dia, ele foi até o meu quarto e falou que tinha orgulho do filho dele, não importava o que eu fosse. Abracei ele e me senti a pessoa mais feliz do mundo. Tinha os pais mais adoráveis do mundo e o garoto mais lindo ao meu lado.
Então os boatos chegaram na casa do Stephen e os pais dele não eram tão compreensivos quanto os meus. Aconteceu uma grande briga na casa dele. Lágrimas, gritos e o pai dele até tentou bater nele. Ele apareceu na minha casa no meio da madrugada com os olhos inchados de tanto chorar e com as mãos trêmulas. Abracei ele com força e tentei fazer com que a dor dele fosse para mim. Beijei ele e disse que era eu e ele contra o mundo. Ele apenas me olhou e me beijou suavemente. Adormecemos juntos, de mãos dadas.
No dia seguinte, o espaço do meu lado na cama estava vazio. Me levantei assustado e procurei ele no banheiro, mas ele também não estava lá. Foi bem depois que me dei conta do pequeno bilhete que ele deixou na mesa de cabeceira. Apenas uma palavra que pra mim explicava tudo e que fez meu mundo desabar: “Desculpa.”
As lágrimas começaram a cair pelo meu rosto e eu não conseguia sequer conter. Stephen me deixara. Eu sabia que tudo aquilo era demais para ele e agora ele realmente tinha ido embora. Meu maior medo se concretizou. Tentei ligar, tentei encontrar ele pela cidade e até passei várias vezes por perto da casa dele, para falar com ele e dizer que podíamos superar aquilo junto, mas ele não queria falar comigo.
Foi uma semana difícil. Meus pais tentaram de todas as formas me animar, mas nada tinha efeito. Tudo o que eu assitia, escutava e fazia me lembrava Stephen.
E eu pensei que as coisas não podiam piorar, mas na mesma semana piorou. Eu estava apenas caminhando com meu cachorro depois do almoço quando encontrei uma ex-colega de classe. Ela veio falar comigo toda animada e começamos a conversar. Então, ela falou: “Ah, você já sabe, não é? O Stephen e a Bella vão se casar no próximo final de semana. Acho que agora vão parar com aqueles boatos malucos de que você e ele estavam tendo um caso.”
Meu mundo desabou. Eu não sei exatamente como cheguei em casa, mas eu cheguei. Acho que meu cachorro que me guiou, porque eu fiquei totalmente sem condições de me mover, sequer. E todas as noites da semana seguinte eu fiquei me perguntando o porquê de tudo aquilo estar acontecendo. Primeiramente eu cogitei que ele não gostava de mim, como de prache. Mas logo eu percebi que tinha o dedo dos pais dele naquilo tudo. E eu não podia deixar aquilo acontecer.
E então chegamos na manhã em que eu acordei e comecei a contar essa história. Voltamos para a manha em que acordei de uma noite em que chorei por horas, por ver o quanto o mundo era sujo e cheio de pessoas que não conseguiam entender o amor de duas pessoas só porque eram dois… homens. Eu chorei por todas as pessoas que julgaram um amor que era tão lindo, mágico… Mais verdadeiro que muitos por aí. De qualquer forma, era amor. Não devia haver ninguém no mundo que podesse julgar algo tão bonito e especial.
E o motivo de eu ter me revirado na cama é que era o dia do casamento do Stephen. E eu não conseguia nem me mover. Com medo do que eu estava prestes a fazer e as consequencias ruins que poderia trazer.
Tomei um banho demorado. Minhas malas já estavam prontas e eu já tinha conversado com meus pais. Eles tentaram me impedir, mas ninguém iria conseguir.
O casamento aconteceria de manhã e já estava quase na hora. Dirigi até a igreja e fiquei observando as pessoas entrarem na igreja. Nenhum sinal dele.
Eu não era o tipo de garoto que iria interromper uma ocasião de véu branco. Mas Stephen não era o tipo de garoto que deveria casar com a garota errada. Stephen sequer era o tipo de garoto que deveria casar com uma garota. E foi exatamente por isso que depois que todos os convidados entraram, eu entrei também e sentei na última fileira, sozinho. Ele me viu e ficou paralizado. Eu nunca o vira tão arrasado, tão acabado. Nunca vi aqueles olhos azuis exalando tanta tristeza. Eu, porém, apenas levantei as sobrancelhas.
E lá vinha Bella com um vestido cor pastel. Stephen sequer tirara os olhos de mim, ficou me observando e nem prestou atenção na sua futura esposa entrar na igreja. Eu também não tirei meus olhos dele.
E a cerimônia começou. Aquilo era pura tortura, eu não aguentava mais um minuto. Eu não iria me humilhar e falar nada no “Fale agora ou cale-se para sempre”. O destino já havia me calado e não havia mais nada que eu pudessse fazer, ele estava se casando com uma garota e eu só estava ali para admitar que eu fui derrotado. Me levantei pra sair na hora que ele deveria dizer “Sim”. Quando o padre perguntou, ele olhou para trás e me viu levantando. Todos prenderam a respiração e ficaram olhando para ele, esperando que ele respondesse. Eu apenas sussurei “Adeus” e levantei as mãos como um gesto de despedida, com lágrimas caindo pelo meu rosto; e seus olhos se tornaram mais tristes do que já estavam quando os vi no começo da cerimônia.
Saí pelas portas da igreja com meu coração sendo deixado pra trás. As lágrimas cairam e eu sufoquei. Mal consegui descer os degreus da igreja. Quando cheguei no último degrau, alguém me puxou. Você deve estar pensando que era Stephen, que ele não disse ”Sim”, que ele veio atrás de mim e me deu um abraço super apertado.
Você pensou certo. Ele chorava, eu chorava. Não conseguíamos nos desgrudar. Então ele me beijou. Tão verozmente e ao mesmo tempo tãp apaixonadamente. Parecia que o mundo acabaria se não fizessemos aquilo. Eu comecei a sorrir e ele também, e de repente só existia eu e ele no mundo.
E isso durou por pouco tempo, porque logo as pessoas da igreja sairam e começou o tumutuo. Apenas olhei para todos eles e o puxei, levando-o para o carro.
- Vamos embora daqui.
Entramos no carro e passamos na casa dele, onde ele pegou algumas roupas e coisas de valor sentimental. Eu mal podia acreditar que ele desistira da cerimônia e estava ali, comigo, pegando a mala e indo embora.
Logo estávamos dirigindo para longe dali. Longe daquele lugar lindo e cheio de lembranças boas, mas com pessoas com a mente tão vazia quanto seus respectivos corações. Enquanto eu dirigia, eu me beliscava várias vezes para me perguntar se era verdade. Mas era só olhar para o banco do lado e eu podia ver um Stephen cansado, mas que não conseguia parar de sorrir.
Parei o carro em uma praia deserta já no fim da tarde. Tiramos nossos sapatos e fomos caminhar na areia.
- Obrigado por aparecer, Nate. Eu não sei o que seria da minha vida se eu não visse seus olhos verdes e toda a tristeza neles. Eu simplesmente não consegueria ir em frente vendo toda a dor no seu rosto. - falou ele olhando pra mim e segurando minha mão.
- Sou eu e você contra o mundo, lembra? Sempre foi assim na escola, sempre foi assim mesmo quando estávamos separados. De alguma forma continuamos juntos e eu sabia que uma hora iríamos nos reencontrar, mesmo que fosse uma esperança que estava quase oculta e morrendo.
- Eu você contra o mundo. - falou ele sorrindo e passando a mão pelo meu cabelo.
Sentamos na areia e ficamos observando o mar.
- Eu não entendo como meus pais puderam me obrigar a casar com uma garota só pra não desonrar o nome da família. Eles nem sequer quiseram parar pra ouvir que eu na verdade amava você…
- Eu sabia que era por conta deles! Eu sabia! Você nunca casaria com ela tendo a mim, que sou bem melhor…
Ele começou a rir e eu também. Tudo parecia tão engraçado e perfeito agora.
- Eu só não reclamarei porquê você está correto.
Passamos alguns minutos nos beijando. Lentamente, agora sabíamos que tínhamos todo o tempo do mundo.
- Podíamos morar aqui. Montar uma cabana, ficar observando o mar, nos beijando… Até ficarmos velhinhos e morrermos. - falei, enquanto deitava minha cabeça no colo dele.
- Soa perfeito pra mim. Mas você sabe que uma hora teremos que voltar e enfrentar todos eles. O que importa é que eu e você estamos juntos nessa e nada, absolutamente nada, irá nos afastar. Eu te amo por tempo demais pra deixar isso acontecer. De uma forma ou de outra, iríamos ficar juntos.
Meus olhos se encheram de lágrimas. Tudo aquilo parecia bom demais pra ser verdade.
- Mas por enquanto vamos sair por aí. Meus pais me emprestaram o carro e tinha algum dinheiro da faculdade guardado. Vamos viajar pelo país, vamos ficar só eu e você explorando o mundo e um ao outro.
Ele olhou para mim maliciosamente e eu sorri.
- Também soa perfeito para mim. - disse ele me beijando. - Eu te amo, Nate.
- Eu também te amo, Stephen.
Naquela noite nós acampamos na praia. Foi uma das noites mais lindas de toda minha vida. Eu nunca me senti tão próximo de alguém, eu nunca senti tanto amor por alguém. Depois daquela noite eu e Stephen éramos um só e nada poderia nos separar. Adormecemos abraçados, ouvindo o som do mar e sem nenhuma preocupação. Afinal, era Nate e Stephen contra o mundo. E não importava o que viesse a acontecer à seguir, tudo se torna mais fácil quando você não está sozinho.
FIM.



















